Curiosidades sobre um produto clássico das praias cariocas

“Olha o Biscoito Globo, salgado ou doce!”

Esse já faz parte da cultura carioca e sucesso nas praias há mais de 50 anos. Isso sem nenhuma propaganda e nenhuma mudança na embalagem desde seu lançamento em 1955. Isso sim é um verdadeiro caso de sucesso! O bonequinho da logomarca é inspirado no “o bonequinho viu”, símbolo da coluna de críticas de cinema do jornal O Globo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

São 4h50 da madrugada na escura Rua do Senado, na Lapa. Até os mais renitentes boêmios já entregaram os pontos. Não se vê viva alma, a não ser em frente ao sobrado número 273, onde cerca de 50 pessoas aguardam a abertura da fábrica do tradicional biscoito de polvilho Globo. Daqui a algumas horas, o sol estará brilhando na orla, mas a praia do carioca nasce ali, na escura Rua do Senado.

 

 

 

 

 

 

 

 

O primeiro da fila chegou às 2h. Fausto Ferreira da Silva, 80 anos, compra biscoitos para vender na Praia do Leblon há oito anos, desde que deixou o emprego de cozinheiro num restaurante do Centro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

– O produto é bom!  – Empolga-se.  – Esse biscoito é dinheiro em caixa. Criança de um ano já aponta o dedinho quando a gente passa – diz o vendedor, que paga R$ 25 por um saco de 50 unidades.

Pontualmente às 5h, um senhor franzino, de fala mansa mas articulada e segura, chega para abrir a fábrica. Milton Ponce segue essa rotina desde 1962, quando decidiu ampliar a produção da padaria Globo, em Botafogo. Paulista, ele chegara ao Rio em 1954, trazendo de uma panificação antiga do bairro do Ipiranga a fórmula que junta polvilho, ovos, leite, açúcar, sal, gordura hidrogenada e água.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

– Muita gente pergunta por que não aumento a produção. Quase todos os dias, recebo propostas de franquia, mas isso aqui é como um bolo que você faz na sua casa. Segundo ele, sua maior satisfação é fornecer um meio de vida a milhares de pessoas que vendem o biscoito nas praias do Rio e pelas ruas da cidade.

- Muita gente aposentada ou desempregada vem aqui comprar o biscoito e sobrevive da venda.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Milton diz que o segredo do sucesso são seus funcionários – 18 no turno da manhã e quatro à tarde – que chegam a produzir 15 mil saquinhos com dez rosquinhas cada durante o verão.
– Tenho funcionários comigo a 42, 38, 35 anos. Aquele está aqui desde os 11 – conta, enquanto aponta para o forneiro Ednaldo Valdevino do Nascimento, 36.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Levado à fábrica por dois tios, ele acorda todos os dias às 3h20 para trabalhar.
– A carcaça já calejou com esse horário.

Mas quem mete mesmo a mão na massa é Jailton da Silva Cardoso, que exercita os músculos e a sensibilidade dos dedos para achar o ponto certo. Como não pode usar luvas, sua maior preocupação é com a higiene.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

– Se colocar numa batedeira a massa queima porque não leva fermento – explica. – Já tentei usar luvas, mas elas impedem que eu saiba o ponto exato.

Milton brinca com a fidelidade dos funcionários.
– Tem uma senhora aqui que, se eu demitir, dá um jeito de entrar pelo telhado. A maioria das empresas erra quando troca os empregados que ganham mais. Eu valorizo essa equipe.

Seu calcanhar de aquiles é o empacotamento nos saquinhos de papel vendidos nas praias – os únicos que resistem à ação do sol.
– Já procuramos na Itália e na Alemanha, mas não existem máquinas para esse trabalho.

Ver empacotadores como William da Silva Torres atuando é um espetáculo. Numa velocidade tão grande que suas mãos desaparecem, ele enche um saco em menos de cinco segundos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apesar de não ser carioca, Milton já incorporou o espírito gozador e não liga para os apelidos de biscoito de vento ou “me engana que eu gosto”:

– Devemos muito do nosso sucesso à essa irreverência.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Blog Rio Acima – JBlob

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One Response to Curiosidades sobre um produto clássico das praias cariocas

  1. Luciana Graça de Souza Ribeiro says:

    Boa tarde, e que tarde.
    Por muito tempo ficará na memória.
    Acabei de almoçar, cheguei no serviço e em cima da mesa encontrei um pacote deste maravilhoso biscoito – O Globo. Melhor dizendo, encontrei um símbolo do Rio, cá no cantinho de Minas Gerais.
    Mesmo satisfeita com o almoço, não pude esperar o lanche da tarde, pois quis logo saborear a sensação de estar curtinho um lindo dia de sol, nas praias cariocas.
    Quem me proporcionou esta recordação foi Jose Geraldo, colega de trabalho e pai da Amanda, que namora, com um lindo jovem, que faz parte desta historia.
    Obrigada por este momento.
    Luciana Graça.
    Raul Soares/MG.